1917
e 1918: voam os aparelhos aribu e alagoas
Em 1911,
na fábrica de Cartuchos e Artefatos de Guerra do Exército, no bairro do
Realengo, no Rio de Janeiro, o alagoano e então tenente Marcos Evangelista da
Costa Vilella Junior começava seus trabalhos de construção de um avião. Um
ano mais tarde, Vilella, solicitou apoio ao então ministro da Guerra,
Vespasiano de Albuquerque, que o negou.
Em
1917 voou o aparelho Aribu, projetado e construído pelo Tenente Villela Junior.
Fonte: Arquivo Carlos Dufriche
A falta
de apoio oficial não desanimou o Tenente, que, paciente e obstinadamente
enfrentou a carência de recursos, levando adiante seu projeto de construção
de um avião construído com materiais nacionais. Seis anos mais tarde, ele
concluía e voava com êxito em seu primeiro avião: o Aribu. O aparelho era um
monoplano construído com material nacional, exceto o motor, de 50 cavalos,
importado da França. A estrutura era de madeira e a cobertura de tela. A hélice
fora desenhada e construída por Vilella, empregando madeira nacional.
O Tenente Marcos
Evangelista Vilella Jr
que projetou aviões em 1917 e 1918.
Ainda em
1917, Vilella iniciou a construção de um segundo aparelho, batizado Alagoas.
Era um avião consideravelmente mais desenvolvido do que o Aribu. Aproveitando a
fuselagem de um avião Bleriot, Vilella projetou as asas e hélices e dotou o
aparelho de um motor Luckt, importado, de 80 cavalos. Contando, desta vez, com
recursos do Ministério da Guerra, Vilella concluiu mais rapidamente o aparelho.
Em novembro de 1918, apresentou-o às autoridades militares e à imprensa,
realizando um vôo de demonstração no Campos dos Afonsos. O avião elevou-se a
cerca de 800 metros de altura e voou suavemente.
Em novembro
de 1918 voou com sucessoo aparelho Alagoas,
projetado e construído pelo
Tenente Marcos Vilella Jr.
O
ministro da Guerra, Caetano Faria, assistiu à exibição acompanhado dos
generais Mendes de Moraes e Andrade Neves, respectivamente, diretor de Material
Bélico e chefe da fábrica de cartuchos. O vôo teve repercussão na imprensa.
(1)
As
experiências do Alagoas demonstravam claramente a viabilidade técnica da
construção de aviões no Brasil, empregando materiais nacionais. Contudo, não
tiveram continuidade. Nem mesmo o impacto da Primeira Guerra Mundial e o papel
destacado do avião como arma de guerra sensibilizaram a cúpula do Exército
para a criação da arma da aviação, que surgiu mais tarde, em 1927. Se não
havia interesse na constituição da arma da aviação, menos ainda havia no
desenvolvimento de aeronaves brasileiras.
Notas
(1) SOUZA, José Garcia de. A verdade sobre a história da aeronáutica. Op. cit. p. 432