1911:
sURGE
NA MARINHA O PRIMEIRO PILOTO MILITAR
Em 1911,
Jorge Möeller oficial da Marinha de Guerra, publicava “Aeronáutica
Militar”, obra em que descrevia o estado da arte da tecnologia na França, Itália
e Suíça, além de problemas relativos à operação de aeronaves.
Möeller
foi o primeiro militar e o segundo brasileiro a obter um brevê, logo depois de
Santos Dumont. Em, fins de 1910, ele solicitara e obtivera autorização do
ministro da Marina para realizar estudos sobre aeronáutica e capacitar-se na
pilotagem de aviões, com objetivo de iniciar a constituição da arma da aviação
no Brasil. Möeller era engenheiro e desempenhava as funções de ajudante da
Diretoria de Máquinas do Arsenal da Marinha, sendo encarregado da seção de
motores a explosão. No princípio de 1911, ele iniciava seu curso na Escola
Faerman, em Paris.
A aviação
estava dando seus primeiros passos, e muitos ainda não se davam conta da importância
que os aviões viriam a assumir. Möeller, ao contrário, tinha consciência de
que o desenvolvimento da tecnologia aeronáutica caminhava rapidamente:
“comparai os hodiernos e colossais navios e as rápidas e possantes
locomotivas da atualidade com o primeiro vaporzinho de Fulton e o primeiro trem
de ferro que apareceu e pela diferença verificareis o que há ainda a esperar
da aeronáutica”. ( 1 )
Mas, em 1915, desanimado com a indiferença das altas patentes da Marinha em relação ao avião, Möeller pedia seu desligamento para dedicar-se à navegação de cabotagem.
Em 1913,
Ribas Cadaval, médico da Marinha, propunha a instalação de uma fábrica de
motores leves a explosão para automóveis, aviões e barcos, além de uma
oficina dedicada à construção de aeronaves para constituição de uma força
aérea.
O
projeto refletia o clima de guerra e se propunha a libertar a nação “da
tutela do exterior, no que diz respeito, sobretudo, a material mecânico”.
Cadaval pretendia se valer somente de matéria-prima nacional não só na
construção do aço apropriado à fabricação dos motores, como também toda a
tubulação necessária, além de pretender obter internamente da indústria cerâmica
os dielétricos de porcelana para as velas, bem com os magnetos. (
2 )
A
proposta de Cadaval refletia o que acontecia na Europa, onde a indústria de
propulsores aeronáuticos nascia acoplada à indústria automobilística. Já em
1911, a Fiat italiana contava com cinco mil operários em sua linhas de produção
e fabricava, além de automóveis, motores aeronáuticos e náuticos. Da mesma
forma, as indústrias Renault e Bayard-Clement fabricavam automóveis e motores
aeronáuticos, enquanto a Anzini italiana fabricava motocicletas ao lado de
motores para a aviação.
Ribas
Cadaval nunca conseguiu levar adiante suas idéias, embora já em 1911
organizasse uma entidade denominada Confederação Aérea Brasileira, cuja cerimônia
de instalação contou com a presença do Presidente da República. A entidade
visava à constituição da força aérea no Brasil e propugnava pelo
estabelecimento de uma nova cartografia do país com o emprego do avião.
Cadaval era o principal inspirador da Confederação. Já em 1908, ele
defendia pela imprensa a criação de um serviço aeronáutico na Marinha, com
os objetivos de salvamento marítimo, repressão ao contrabando, cartografia e,
principalmente, defesa.
Notas
(1) MÖELLER, Jorge. Aeronáutica militar. Paris, 1911, Carta ao Presidente da República Hermes da Fonseca.
(2) CADAVAL, Ribas. Documentos. Museu Aeroespacial do Rio de Janeiro.