santos dumont e a invenção do avião
O dirigível Nº 6

Dirigível N.º 6
Fonte: Museu Paulista da Universidade de São Paulo
Vinte e dois dias depois, estava
pronto o dirigível N.º 6, com o qual Dumont, finalmente, venceria o prêmio
Deutsch. Era um aparelho de 36 metros de comprimento no eixo e terminava em cone
à frente e atrás. Para enfrentar o problema de perda de forma, causadora de
diversos acidentes sofridos pelo inventor, Dumont concebeu um balão compensador
no interior do invólucro, com 60 metros cúbicos de capacidade. Esse balão
seria alimentado de ar constantemente por um ventilador que trabalharia
continuamente, acionado pelo motor, independente da contração do hidrogênio.
O excesso de ar seria expulso por um sistema de válvula. O N.º 6 tinha 600
metros cúbicos, e a propulsão ficava a cargo de um motor de quatro cilindros,
de 12 cavalos de força, refrigerado a água. Dumont realizou diversos vôos
experimentais antes de tentar novamente realizar a prova. Num desses
experimentos, um golpe de vento lançou-o contra uma árvore. A 19 de outubro de
1901,tendo o aparelho sido reparado, Dumont realizou novamente a prova
executando-a com sucesso.

19
de outubro de 1901.
Dumont contorna a Torre Eiffel e vence o prêmio Deutch

Capa da revista Figaro Ilustré,
editada em Paris, com a fotografia de Santos
Dumont
realizando um vôo no dirigível N.º 6.
Fonte: Museu Aeroespacial do Rio de Janeiro
A conquista do prêmio Deutsch repercutiu amplamente. Toda a imprensa francesa noticiou o fato com destaque. O Congresso brasileiro votou a concessão de um prêmio ao inventor brasileiro. Dumont distribuiu o prêmio Deutsch entre seus mecânicos, sendo que 69.000 francos foram entregues ao chefe de policia do Paris, para que devolvesse ferramentas e instrumentos de trabalhos penhorados aos seus donos, trabalhadores em dificuldades. Era uma homenagem de Dumont ao povo de Paris, que sempre o incentivara. O único prêmio aceito pelo inventor passou, então, a se construir numa figura freqüentada pela aristocracia européia. A convite do Príncipe de Mônaco, instalou um hangar à beira do Mediterrâneo, para continuar suas experiências no inverno de 1902. Posteriormente, arrendou uma grande área contígua ao Bosque de Bolonha, onde construiu hangares para seus dirigíveis.
Foto
publicada na revista Figaro Illustré,
registrando um acidente do dirigível Nº
6 sobre os jardins
do castelo do Barão Edmond de Rothschild,
em Boulogne-sur-Seine.
Pode-se perceber a flacidez do invólucro,
causa de freqüentes
acidentes com dirigíveis.
Fonte: Museu Aeroespacial do Rio de Janeiro