VENCENDO O AZUL


A HISTÓRIA DA INDÚSTRIA E TECNOLOGIA AERONÁUTICAS





1920: voa a aeronave Rio de Janeiro

 

 

 

O avião Rio de Janeiro, projetado pelo capitão Etienne Lafay (na foto), instrutor de pilotagem da
Missão Militar Francesa. O aparelho foi construído na Companhia Nacional de Navegação Costeira, 
por iniciativa de Henrique Lage.

Fonte: Arquivo Carlos Dufriche

 

Em 1918, dois anos depois de a Marinha ter organizado sua escola de aviação, o Exército seguiu seu caminho. Com essa finalidade, chegava em novembro ao Rio de Janeiro uma missão militar francesa. Entre os membros da missão, estava o capitão Etienne Lafay, que projetou e construiu dois aviões no Brasil com o apoio de Henrique Lage. Para o industrial, a construção dos protótipos projetados pelo Capitão Lafay era uma forma de iniciar suas atividades no campo aeronáutico e demonstrar a viabilidade técnica da fabrica de aviões no Brasil.

O primeiro dos aviões foi batizado Rio de Janeiro  e era um aparelho monomotor biplano, semelhante ao aparelho francês Caudron G3. Dotado de um propulsor Gnome francês e diversos componentes nacionais, o aparelho voou pela primeira vez no Campo dos Afonsos,na cidade do Rio de Janeiro a 15 de maio de 1920. Em 8 de agosto do mesmo ano, realizou uma viagem a São Paulo, voltando ao Rio de Janeiro no dia seguinte.  (1) Apesar do bom desempenho do Rio de Janeiro, a idéia de fabricar aviões no Brasil não prosperava entre as cúpulas militares. Mesmo assim, Lage levou adiante as negociações com as industrias Blackburn & Bristol. Em 1921, os entendimentos chegaram a bom termo e foi assinado um contrato para a produção de aviões ingleses no Brasil. No ano seguinte, chegaram ao Rio de Janeiro máquinas, ferramentais e gabaritos necessários à produção. Contudo, como não havia nenhuma encomenda governamental a produção ficou em suspenso.  

 

 

 

 

Visão da cabine do aparelho  Rio Janeiro.

Fonte: Arquivo Carlos Dufriche

 

 

 

A 25 de maio de 1922 voou o segundo avião projetado e construído pelo capitão Lafay, o Independência. O aparelho era um bimotor, biplano de três lugares, com motores Cleget importados, e realizou diversos vôos de longa duração sem, contudo, sensibilizar a cúpula da Marinha sobre o potencial técnico da empresa de Henrique Lage. Até meados dos anos 30, a Marinha continuou importando aviões para suprir suas necessidades e o contrato com a Blackburn & Bristol tronou-se letra morta.  

 

 

 

O bimotor Independência, o primeiro construído no país, também foi fabricado pela  Companhia Nacional de Navegação Costeira. Voou em 25 de maio de 1922. Tinha autonomia de três horas e levava cinco passageiros.

 Fonte: Arquivo Carlos Dufriche

 

 

 

O mercado aeronáutico civil desenvolveu-se mais lentamente. Apenas em 1927 surgiram as duas principais empresas de transporte aéreo no Brasil: o Sindicato Condor, mais tarde Cruzeiro do Sul, e a Viação Aérea Riograndense – Varig. Ambas contavam com o capital alemão, o que as levava a comprar aeronaves na Alemanha. O Sindicato Condor valeu-se de aeronaves alemãs Dornier Wal, Junkers e Focke Wulf” até a Segunda Guerra Mundial, quando a empresa foi nacionalizada. A Varig valeu-se igualmente de aeronaves alemãs nos seus primeiros anos de vida. Em 1929, foi criada  a Nyrba do Brasil que em 1930 transformou-se na Panair do Brasil, subsidiaria da Pan American Airways. A Panair contava com aviões norte-americanos Douglas e outros.(2)

 

Notas
 

(1) ANDRADE, Roberto Pereira de. A construção aeronáutica no Brasil. São Paulo, Brasiliense, 1976

(2) DUFRICHE, Carlos. Os aviões que fizeram a aviação comercial brasileira. Rio de Janeiro,  Sindicato Nacional dos Aeronautas, 1982.

 

 

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