A
criação da Escola de Aviação da Marinha
À Marinha coube a primazia da
criação de uma escola de aviação militar e, posteriormente, da arma da aviação.
Já em 1908, a imprensa carioca registrava artigos defendendo a tese de que a
Marinha deveria contar com dirigíveis para reconhecimento marítimo e fluvial.
Santos Dumont já havia assinado a importância da aviação para essa
finalidade: ele percebera e identificara as manobras de um submarino submerso,
voando em seu dirigível N.º 16, a 500 metros de altura, sobre a Baía de Mônaco.
Em 1914, um aviso do Ministro da
Marinha determinava a matrícula de vinte e cinco alunos, entre futuros pilotos
e mecânicos da aviação naval, na recém-criada Escola Brasileira de Aviação,
uma iniciativa civil. A Primeira Guerra Mundial introduzia elementos novos na
estratégia naval. Durante o conflito, cerca de 100 aviões equiparam encouraçados
e cruzadores ingleses, de onde alcançavam vôo por meio de pistas instaladas no
convés de cada embarcação. Esses aviões realizavam missões de
reconhecimento e de ataque. Por sua vez, diversos navios de passageiros levavam
hidroplanos para reconhecimento.(1)
Nesse contexto de guerra, em
agosto de 1916, foram criadas as escolas de aviação e de submersíveis da
Marinha. O decreto de criação das escolas determinava sua criação, mas não
previa recursos específicos; eles deveriam ser obtidos através de
remanejamento de verbas orçamentárias do próprio Ministério da Marinha, o
que significava um começo muito modesto. Mesmo assim, foram encomendados três
aparelhos Curtiss e os oficiais, Vítor Carvalho da Silva e Raul Bandeira, ambos
da primeira turma de aviadores da Marinha, foram enviados aos Estados Unidos
para acompanhar a fabricação de aviões encomendados pelo Brasil, realizar
cursos de aperfeiçoamento e adquirir o material necessário à instalação de
uma oficina de montagem e manutenção de hidroplanos. Acompanhando-os na volta,
veio um instrutor enviado pelas industrias Curtiss: Orthon Hoover.
Posteriormente, ele participaria da criação da industria aeronáutica em São
Paulo.
Dessa forma, desde 1914, a
Marinha formava recursos humanos, tendo em vista a criação de sua arma da aviação.
Formar pilotos e mecânicos especializados era o primeiro passo, a partir do
qual a Marinha poderia dispor de um serviço regular, para o qual haveria
necessidade de pelo menos 10 hidroaviões de guerra, número que se elevaria
para 50, além de cinco aparelhos para instrução.(2)
Na mesma época, outros oficiais foram enviados à Inglaterra, entre eles Manoel Augusto Pereira de Vasconcelos. De volta ao Brasil, Vasconcelos trouxe uma proposta de fabricação sob licença no Brasil de aviões Blackburn. O empresário Henrique Lage interessou-se pela idéia e as negociações prosperaram. Henrique Lage era um armador carioca que em 1920 construiu um avião nas dependências de uma de suas empresas, a Companhia Nacional de Navegação Costeira, na Ilha do Viana, Baía da Guanabara.
Notas
(1) MÖELLER, Jorge. Aeronáutica militar. Op. cit. p. 3
(2)
LINHARES,Antônio
Pereira. A Aviação naval brasileira –
1916-1940.
Rio de Janeiro, Imprensa Naval, 1971.