VENCENDO O AZUL


A HISTÓRIA DA INDÚSTRIA E TECNOLOGIA AERONÁUTICAS





OS BALÕES E DIRIGÍVEIS COMO ARMAS DE GUERRA

 

Em 1709, Bartholomeu de Gusmão requeria a patente do balão a D. João V, ressaltando as vantagens militares de seu engenho: “fazendo muitas vezes duzentas e mais léguas por dia (...) se poderão levar os avisos de maior importância aos exércitos”. (1)  Era um prenúncio do caráter militar de que se revestiria o desenvolvimento ulterior da tecnologia aeronáutica.

Em 1783, Girond de Villete, em companhia de Pilatre de Rozier, realizou uma ascensão cativa na França e notou a importância que os balões poderiam assumir na observação dos movimentos de tropas adversárias. O balão ainda dava seus primeiros passos. Em 21 de novembro do mesmo ano, em Paris, Rozier e o Marquês de Arlandes realizaram o primeiro vôo livre com um balão. Suspenso por ar quente, o engenho atingiu a 3.000 mil pés de altura e sete milhas e meia de distancia, em um vôo de apenas 26 minutos de duração. Logo depois, o físico J. ª Charles sugeriu que o hidrogênio poderia ser mais eficiente do que o ar quente para promover a ascensão de balões. O hidrogênio havia sido descrito e isolado por Cavendish em 1766 e foi empregado com sucesso por Charlière, também em Paris, a 1º de Dezembro do mesmo ano. (2)

Dez anos depois, o balão já era empregado como arma de guerra. Em 1794, a França criava uma escola e dois corpos de balões militares. No mesmo ano, o balão era empregado na batalha de Maubeuge e, no ano seguinte, no cerco de Mainz. A partir desse momento, o balão passava a fazer parte do arsenal de guerra.

Em 1862, durante a guerra de Secessão, nos Estados Unidos, um balão cativo equipado com máquina fotográfica e telégrafo foi utilizado no cerco de Richmond. Por outro lado, durante a Guerra Franco-Prussiana de 1870, os balões foram largamente empregados. Paris, sitiada pelos alemães, construiu 66 balões que venceram o cerco inimigo e levaram mensagens às províncias exortando o povo ao combate. Gambetta, um dos lideres da resistência francesa  aos alemães, deixou Paris a bordo de um balão, seguindo para Tours, onde organizou um exercício para combater os invasores, confirmando 171 anos mais tarde as previsões de Bartholomeu de Gusmão. (3)

Em 1869, a Inglaterra organizou um corpo de balões militares. A Rússia o fez em 1874, seguida pela Alemanha em 1884 e pela Bélgica em 1886. As principais potências européias estavam convencidas da importância estratégica dos novos engenhos. (4)  No Brasil, o balão foi utilizado por fins militares em 1867, durante a Guerra do Paraguai, para observação dos movimentos do exército adversário.

Em 1893, irrompeu a Revolta da Armada, pondo em risco o governo republicano de Floriano Peixoto. Nesse momento, o Deputado Federal Augusto Severo propôs ao Presidente da República a construção de um balão dirigível para atacar pelo ar os navios revoltosos que dominavam a Baía de Guanabara. Dessa forma, foi construído em Paris, e posteriormente trazido ao Rio de Janeiro, o dirigível “Bartholomeu de Gusmão”, projetado por Severo. (5)  

 

 

Em 1894, no Campo do Realengo, no Rio de Janeiro, o dirigível Bartholomeu de Gusmão,
projetado por Augusto Severo, e construído  pela Casa Lachambre, em Paris,
e pelo próprio inventor, no Brasil.

Fonte: Museé de L`Air Le Bourget

 

 

Notas

 

(1) GUSMÃO, Bandeirante Lourenço de. Obras diversas. São Paulo,    Companhia Melhoramento, 1934, p. 189.

(2) BROOKS, Peter Aeronautics, in: History of Techonology, Oxford University Press, 1979, Vol. V.  

(3) GORDON, Arthur, Historia de la Navegación Aérea, Barcelona, Editorial Labor, 1966.

“ Todas as praças sitiadas poderão ser socorridas, tanto de gente  como  de munições e víveres, a todo o   tempo, e retirarem-se delas todas as pessoas que quiserem, sem que o inimigo o possa  impedir”.

(4) GUSMÃO, Bartholomeu Lourenço de. Obras diversas. Op. cit . p. 189

(5) MÖELLER, Jorge. Aeronáutica militar. Paris, s.n.t. 1911.

(6) BARROS, Domingos de. Aeronáutica militar. Rio de Janeiro, editado pela Biblioteca do Exército, 1940.

 

 

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