VENCENDO O AZUL


A HISTÓRIA DA INDÚSTRIA E TECNOLOGIA AERONÁUTICAS

 



 santos dumont e a invenção do avião

 

A fazenda da família Dumont

 

Segundo o próprio Dumont, seu interesse pela mecânica nasceu
 quando ainda muito jovem dirigia as locomotivas
que circulavam no interior da fazenda de seu pai

Fonte: Museu Paulista da Universidade de São Paulo

 

 

Em 1891, após um acidente que o deixou hemiplégico, Henrique Dumont vendeu a fazenda, partindo para a Europa com a família. O jovem Santos Dumont acompanhou os pais e dessa viagem surgiu o desejo de estudar na França.

De volta ao Brasil, Henrique Dumont emancipou o filho, aos 18 anos de idade, recomendado que não realizasse um curso superior, mas sim que procurasse especialistas em física, química, mecânica e eletricidade e que estudasse essas matérias, sublinhando sua convicção de que o futuro repousaria na mecânica.

Em 1890, em São Paulo, Santos Dumont assistiria a uma ascensão de aerostato e, desde então, mantinha o desejo de realizar um vôo. Uma vez em Paris, procurou a casa fabricante de balões, Lachambre & Machuron, para combinar uma ascensão, afinal realizada num balão da própria empresa, pilotado por Machuron, um dos sócios. O balonismo era um esporte de elite. A não-dirigibilidade dos balões impedia aplicações práticas, exceto o reconhecimento militar. Os balonistas deixavam-se levar pelo vento, sem destino, pelo puro prazer de navegar pelo ar e contemplar a paisagem. Dumont tinha no início esse mesmo perfil e realizou muitas ascensões esportivas, pilotando balões livres

Como todos os balonistas da época, corria constantes riscos. Na verdade, por sua aura de aventura e perigo, o esporte exercia fascínio sobre a juventude  aristocrática da França do final do século.

Numa de suas muitas ascensões, Dumont atingiu a cerca de 3000 metros, permanecendo acima do topo das nuvens, sem noção do que havia embaixo. Em certo momento, o balão foi tomado por uma corrente de ar ascendente e elevou-se. Pouco depois, subitamente, precipitou-se, perdendo altura rapidamente. Dumont deixou fora o lastro e, próximo ao solo, o balão encontrou uma violenta tempestade, cujos fortes ventos lhe imprimiram velocidade. Repentinamente, a corda pendente, o que permanecia pendurada fora do balão, enroscou-se numa árvore, detendo bruscamente o engenho. Dumont foi lançado fora da cesta e desmaiou na queda. Um incidente dessa natureza não desanimava os jovens balonistas, pelo contrário, os encorajava a realizar novas ascensões.

 

 

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