Santos Dumont e a invenção do avião

Dumont em 1918, aos quarenta e cinco anos de idade
Alberto Santos Dumont foi o maior inventor brasileiro de todos os tempos e, também, aquele que contou com mais recursos à sua disposição para realizar seus experimentos. Filho de um grande fazendeiro de café, Dumont recebeu uma grande herança do pai, suficiente para financiar seus inventos e garantir sua subsistência ao longo de toda a vida. De seus inventos nunca recebeu nada, recusando-se a solicitar patentes de seus aparelhos por julgar que o segredo de invenção retardava o desenvolvimento aeronáutico.
Ao contrário de alguns dos mais conhecidos
inventores franceses e norte-americanos, Santos Dumont não deu origem a nenhuma
indústria de aeronaves, nem mesmo projetou aparelhos para fabricação em série.
Seu pai, o engenheiro Henrique Dumont, tinha ascendência francesa, tendo,
inclusive, realizado o curso superior na França. De volta ao Brasil, Henrique
Dumont empregou-se no serviço de obras de Ouro Preto, em Minas Gerais. Nessa
cidade, casou-se com Francisca Santos, filha do Comendador Paulo Santos.
Henrique Dumont iniciou a navegação a
vapor do Rio das Velhas, trabalhou em exploração madeireira e na realização
de obras de engelharia, tais como pontes e estradas. Empreitou a construção de
um trecho da Estrada de Ferro D. Pedro II, hoje Central do Brasil, próximo à
cidade de Barbacena, em Minas. Foi aí, no Sítio de Cabangu, que nasceu o sétimo
filho do casal, Alberto, a 20 de Julho de 1873.
Em 1879, Henrique Dumont adquiriu uma
fazenda na região de Ribeirão Preto, oeste de São Paulo. Em pouco tempo, a
fazenda tornou-se uma das maiores do Império, chegando a contar com cinco milhões
de pés de café plantados. A dimensão da fazenda era tal que Dumont construiu
um ramal particular da estrada de ferro, ligando os cafezais entre si à estação
de embarque, em Ribeirão Preto, numa extensão de cerca de 30 quilômetros.
Dali, a produção de café era escoada por ferrovia até o porto de Santos.